sábado, 24 de outubro de 2009

VIVENDO A PLENA SEGURANÇA

ROMANOS 8.31-39

A doutrina da perseverança dos santos é sem dúvida uma das mais importantes doutrinas bíblicas, e aqueles que não a aceitam em termos práticos para suas vidas estão deixando de usufruir de uma grande bênção divina, qual seja, essa segurança maravilhosa que Ele nos concede.

Não há nada mais libertador, mais maravilhoso neste mundo do que sabermos que somos amados pelo Senhor; pois seu amor é eficaz em nossas vidas, e a perseverança está bem fundamentada em seu amor para com seus eleitos.

Como podemos viver a plenitude da segurança em Cristo?

Observemos por meio do texto em questão que podemos ter algumas certezas que nos farão nos sentir plenamente seguros em nossa caminhada com Cristo. Devemos, pois, viver tendo estas certezas:


I – TENDO A CERTEZA DE TER DEUS A NOSSO FAVOR, V. 31.
1. Embora tenhamos muitos adversários, 31.
O pecado que habita em nós é um poderoso adversário.
Nosso maior inimigo não é como alguém poderia pensar, o diabo, na realidade nós mesmos somos nosso maior inimigo. Quando somos tentados diz a Palavra, o somos atraídos pela nossa própria concupiscência. (Tg 1.14)
A morte continua sendo uma inimiga, embora já derrotada.
A morte já está derrotada pelo fato de que Cristo a venceu por meio da sua ressurreição e que temos então a garantia de que ele é as primícias dos que dormem. Ela será abolida definitivamente quando da volta do nosso Senhor.
O diabo é o nosso adversário.
"Então, ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e o poder, e o reino do nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo; porque já foi lançado fora o acusador de nossos irmãos, o qual diante do nosso Deus os acusava dia e noite" (Apocalipse 12.10).
O mundo é contra nós.
Não podemos nos iludir acerca dessa verdade, não podemos achar que o mundo não é contra nós. Seus conceitos, seus valores encontram-se corrompidos pelo pecado, portanto deve encontrar uma oposição por parte da igreja do Senhor. Não terrível ter o mundo contra nós, terrível seria ter o Senhor contra nós.

Mesmo com tantos adversários podemos estar tranqüilos, pois afinal temos o Senhor ao nosso favor.
Nada seria mais terrível do que ter o Senhor contra nós. No A. T. Ele diz: “Eu sou contra ti” para as nações pagãs (Jr 50.31; 51.25; 29.3; etc;) para Israel em tempos de idolatria; para os falsos pastores e profetas (Ez 13.8s, 20; 14.9). Não é o caso em Rm 8.31, a situação aqui considerada é aquela em que Deus é por nós.


2. Pois Ele vela pela Sua obra, Fp 1.6.
“Estou plenamente certo que aquele que começou a boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.”
O senhor realiza em nós uma obra completa, não deixa pela metade. Ele não nos abandona à nossa própria sorte em nosso processo de santificação, pelo contrário, nos sustenta, nos concede graça para permanecermos em sua presença, e ainda se viermos a nos desviar dele, nossos pecados não poderão anular Sua obra em nós.


II – TENDO A CERTEZA DO AUXÍLIO DE CRISTO, V. 33, 34.
1. Por meio de sua obra justificadora, v. 33.
É aquilo que temos dito em outras ocasiões, a salvação é totalmente monergística, ou seja, é um ato total de Deus sem contribuição humana para a mesma. Cristo justifica o pecador, e ao fazê-lo nos livra da culpa do pecado original e não há como voltarmos a um estado de culpa diante do Senhor. O débito já foi pago, Cristo mesmo o pagou sofrendo, obedecendo e morrendo em nosso lugar. Ele nos auxiliou nos concedendo a salvação e nos auxilia ainda hoje...

2. Por meio de sua intercessão, v. 34b.
O que quer dizer com intercede por nós?
A obra intercessória de Cristo diz respeito a todo o seu ministério a nosso favor, o texto aqui aborda a questão judicial de ele ter pago o preço para a nossa salvação. Há também um aspecto relativo à nossa santificação, pois Hb 4.15; 2.18 diz o seguinte: “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.”
“Pois naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados.”

Portanto saiba meu irmão e minha irmã que Cristo estará a lhe socorrer no momento de sua tentação.
Ele ainda intercede por nós nas coisas concernentes à Deus, pois esse é o papel do sumo sacerdote conforme Hb 5.1. Em Jo 17 ele ora pelos apóstolos e por aqueles que viriam a crer nele, ou seja por sua igreja, por nós. Lembremos que temos a nosso favor um sumo sacerdote perfeito, e ele de fato é merecedor de todas dádivas do Pai, sua oração é eficaz, ele mesmo disse que o pai sempre o ouve, sempre responde à sua oração: “...Pai, graças te dou porque me ouviste. Aliás, eu sabia que sempre me ouves, mas assim falei por causas da multidão presente, para que creiam que tu me enviaste.” (Jo 11.41, 42)


III – TENDO A CERTEZA QUE SOFRIMENTO ALGUM NOS SEPARARÁ DO AMOR DE CRISTO, 35-37.
1. Pois somos mais que vencedores, v. 37.
Em nosso mundo de mensagem triunfalista e materialista muitas pessoas querem fazer uso dessa expressão para afirmar que o cristão é mais que vencedor em termos financeiros, prosperará sempre, sempre obterar vitórias e conquistará status social. O texto porém, nos fala de vitória em meio ao sofrimento. Não nos diz o texto que somos mais que vencedores porque o Senhor nos livra do sofrimento, mas nos diz que somos mais que vencedores em meio ao sofrimento.
Nossos sofrimentos devem ser vistos como uma prova de nossa união com Cristo e não um motivo para duvidarmos do seu amor.
A esperança do crente não é que escapará da angústia, do perigo, da fome ou da morte; Deus não promete que o sofrimento não vai nos afligir, mas que não vai nos separar do amor de Cristo. A promessa é que o Todo Poderoso fará com que cada uma destas agonias se torne em instrumento de sua misericórdia para conosco. Nossa esperança está firmada no amor de Deus, sob Quem está toda a criação.

"Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (João 16.33).
"Eu vos escrevi, meninos, porque conheceis o Pai. Eu vos escrevi, pais, porque conheceis aquele que é desde o princípio. Eu escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e já vencestes o Maligno" (1João 2.14).
"Filhinhos, vós sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo" (1João 4.4).
"Todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?" (1 João 5.4).


IV – TENDO A CERTEZA DE QUE ABSOLUTAMENTE NADA PODERÁ NOS SEPARAR DO AMOR DE DEUS, V. 38-39.
1. Nenhuma realidade da existência, seja a vida, seja a morte...
“nem a morte, nem a vida”, temos aqui uma alusão á crise da morte e às calamidades da vida.
“Nem os anjos nem os principados”, ele faz uma referência a todos os agentes cósmicos e sobre-humanos, sejam bons ou maus.

2. Nenhuma criatura, nem mesmo Satanás (Jo 10.27-30).
“As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará das minhas mãos. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. Eu e o Pai somos um.” (Jo10.27-30)
Portanto meu irmão, você está seguro nas mãos de Deus, o maligno não pode lhe tocar, você é propriedade exclusiva de Deus. Viva então de acordo com tão grande amor e valorize sua relação com o Senhor.


CONCLUSÃO: 1. Absolutamente nada pode frustrar o propósito de Deus, e lembremos que ele é por nós, ou invalidar sua generosidade, Ele não poupou a seu próprio Filho. Igualmente ninguém pode acusar e condenar seus eleitos, pois ele já os justificou por meio de Cristo, por fim nada pode nos separar do seu amor.
2. O nosso amor por ele pode ser falho, débil e inconstante, mas o seu amor por nós é inabalável, fiel e perseverante. Assim sendo a doutrina da “perseverança dos santos” bem poderia ser chamada de doutrina da perseverança de Deus com os santos. Pois estamos de pés não por nós mesmos, mas porque Ele nos sustenta.

CALVINO E A PREGAÇÃO

João Calvino era um pregador fabuloso, pregava intensivamente. Todos os dias praticamente suas ovelhas tinham a oportunidade de lhe ouvir pregar o evangelho. Não escolhia um texto a esmo como muitos pregadores de nossos dias que basicamente só pregam mensagens temáticas. Seu método de pregação era expositivo contínuo, ou seja, expunha o texto bíblico e pregava de forma seqüencial livro por livro, versículo por versículo.
Em suas mensagens utilizava uma linguagem simples, compreensível ao povo. Expunha e explicava o texto em seu contexto histórico-gramatical, porém pelo menos 40% de sua mensagem era dedicada á aplicação. Fazia aplicações gerais e específicas para determinadas classes de pessoas. Fazia aplicações polêmicas contra os erros do catolicismo predominante em sua época, levava o povo de fato a pensar acerca de suas atitudes e de suas vidas.
Utilizava-se de uma metodologia extemporânea de pregação, ou seja, embora estudasse minuciosamente o texto, não levava um sermão escrito para o púlpito. Acreditava ele que dessa forma estaria mais à disposição do Espírito. Evidentemente que essa sua atitude deve ser entendida corretamente, para que algumas pessoas que não estudam suas mensagens não pensem ter ele como exemplo. Lembremos que Calvino estudava com afinco tudo quanto iria transmitir do púlpito.
Paralelo à pregação havia em seu ministério a atividade intensa da visitação pastoral, que em certo sentido acaba sendo um complemento da mensagem de púlpito. Desse modo ele não visitava apenas aqueles que se encontravam doentes, mas todos de sua igreja. Era um trabalho preventivo.
Os pregadores de nossos dias deveriam olhar para o passado, para homens como Spurgeon, John Owen, Loyd Jones e sem dúvida também Calvino e tomá-los como exemplo a serem imitados. Sei que pregar expositivamente eleva o grau de dificuldade para o pregador, porém, estou convencido que é o tipo de mensagem mais fiel ao texto bíblico e mais proveitosa espiritualmente para a igreja.

sábado, 12 de setembro de 2009

UM DEUS IRADO

Rm 1.18 – 2.29


INTRODUÇÃO: 1. O significado de ira de Deus.
É triste ver tantos cristãos professos que parecem considerar a ira de Deus como uma coisa pela qual eles precisam pedir desculpas, ou, pelo menos, parece que gostariam que não existisse tal coisa. Conquanto alguns não fossem longe o bastante para admitir abertamente que a considera uma mancha no caráter divino, contudo, estão longe de vê-la com bons olhos, não gostam de pensar nisso e dificilmente a ouvem mencionada sem que surja em seus corações um ressentimento contra essa idéia. Mesmo dentre os mais sóbrios em sua maneira de julgar, não poucos parecem imaginar que há na questão da ira de Deus uma severidade terrificante demais para propiciar um tema para consideração proveitosa. Outros dão abrigo ao erro de pensar que a ira de Deus não é coerente com a Sua bondade, e assim procuram bani-la dos seus pensamentos.
Pois bem, a ira de Deus é uma perfeição divina tanto como a sua fidelidade, o Seu poder ou a Sua misericórdia. Só pode ser assim, pois não há mácula alguma, nem o mais ligeiro defeito no caráter de Deus, porém, haveria, se Nele não houvesse "ira"! A indiferença para com o pecado é uma nódoa moral, e aquele que não odeia é um leproso moral. Como poderia Aquele que é a soma de toda a excelência olhar com igual satisfação para a virtude e o vício, para a sabedoria e a estultícia? Como poderia Aquele que é infinitamente santo ficar indiferente ao pecado e negar-Se a manifestar a Sua "severidade” (Rm.11:22) para com ele? Como poderia Aquele que só tem prazer no que é puro e nobre, deixar de detestar e de odiar o que é impuro e vil?

2. O significado de justiça de Deus em 1.17.
John Stott em seu comentário à epístola de Romanos vai dizer que: “é a iniciativa justa tomada por Deus ao justificar os pecadores consigo mesmo, concedendo-lhes uma justiça que não lhes pertence, mas que vem do próprio Deus. ‘A justiça de Deus’ é a justificação justa do injusto, sua maneira justa de declarar justo o injusto, através da qual ele demonstra sua justiça e, ao mesmo tempo, nos confere justiça. Ele o fez através de Cristo, o justo, que morreu pelos injustos, como Paulo explica mais adiante. E ele o faz pela fé quando confiamos nele, clamando a ele por misericórdia.”


I – A IRA DE DEUS CONTRA AQUELES QUE O DESPREZA, 1.18-32.
1. Pessoas que desprezam a Revelação Divina, 1.18-27.
O apóstolo Paulo trata aqui do fato que o Senhor concedeu a todo gênero humano um testemunho de si mesmo. Esse testemunho é chamado de revelação natural, pois é perceptível na criação, na natureza, como coloca o salmista Davi no Salmo 19.1: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.” O que Paulo está dizendo é que os gentios são indesculpáveis diante de Deus em não reconhecer que há um Deus criador, todo-poderoso e digno de adoração. Evidentemente essa revelação na natureza não é útil para o conhecimento da salvação, nem do caráter santo de Deus. Tais homens suprimem a verdade pela injustiça e se tornam alvos da ira divina. Isso porque “trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis” v. 23.
O que Paulo viu claramente é que a filosofia grega abraçava facilmente as forma mais grosseiras e superstição e imoralidade.
Em nossa cultura e época não é muito diferente, pois muitos trocam o Senhor pela obsessão ao dinheiro, a fama e o poder.

2. Seu próprio modo de vida já é um castigo de Deus, 1.26 e 27.
Paulo aqui rechaça o comportamento homossexual, mostrando que é contrário à natureza e o próprio procedimento em si já é um castigo de Deus em suas vidas. Entendamos meus irmãos que não há algo mais terrível para alguém do que o Senhor não usar de sua graça para não permitir que tal pessoa venha a ser dominado pelos mais terríveis pecados.
Os movimentos gays obviamente não irão aceitar que a Bíblia condena prática homossexual, ao invés disso procuram interpreta-la segundo seus preconceitos. Desse texto eles dizem que a passagem é irrelevante, visto que o objetivo dele não é ensinar ética sexual, nem denunciar o vício, mas trair a maneira como se manifesta a ira de Deus. De fato o tema do texto não é comportamento sexual, mas se certa conduta sexual é vista como conseqüência da ira de Deus, então é porque ela é desagradável a ele.
Questionam também o que Paulo quis dizer com “natureza”. Afirmam que suas atitudes são naturais a eles, e o que Paulo condena é a prática homossexual por pessoa aparentemente heterossexual.
Ora, “insinuar que a intenção de Paulo seja condenar tos homossexuais somente cometidos por pessoas que são, por natureza heterossexuais é introduzir uma distinção completamente estranha ao mundo das idéias de Paulo, - ou seja, um verdadeiro anacronismo.
Portanto, agir “contra a natureza” violar a ordem que Deus estabeleceu, enquanto agir “de acordo com a natureza” significa comportar-se de acordo com a intenção do criador, sua intenção original de uma relação heterossexual monogâmica.

3. Estão, portanto, mortos em seus pecados, 1.28-32.
Paulo agora retrata várias práticas anti-sociais, as quais, juntas, descreve a derrocada da comunidade humana, na medida em que os padrões desaparecem e a sociedade se desintegra. Tais pessoas, que vivem também hoje dessa forma, estão de fato mortos em seus pecados, como muito bem expressa Paulo em Ef 2.1-3: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais.”
As pessoas retratadas na epístola conhecem a sentença divina para o seu estado pecaminoso, v. 32; 6.23; porém, não somente praticam como aprovam os que assim procedem. Suprimem a verdade por amor a maldade. Contra esses vem a ira do Senhor.

O Senhor é o juiz supremo, ele julgará você antes do que você imagina.

II – O JUÍZO DE DEUS É SEGUNDO A VERDADE, 2.1-16.
1. Ao Senhor não se engana, 2.1-8.
O nosso apóstolo agora tece uma crítica aos falsos moralistas, àqueles que facilmente apontam o erro dos outros, mas que cometem os mesmos. Tais pessoas estão sempre prontas a julgar, a condenar, e obviamente se consideram mais santas, mais corretas, mais espirituais que as outras.
Na realidade é algo comum nós termos prazer em condenarmos-nos outros as mesmas falhas que percebemos em nós mesmos. Freud chama isso de “projeção”. Thomas Hobes, filósofo político do século XVII, referia-se a pessoas que “se forçam a valorizar a si mesmas observando as imperfeições dos outros”. Jesus nos adverte: “Por que vês tu o argueiro no olho do teu irmão, porém não reparas a trave que está no teu próprio?”
Ao Senhor não se engana, podemos passar por muito justos e santos para aqueles que estão á nossa volta, mas para o Senhor na da está encoberto.

2. Aquilo que semeamos, colhemos, 2.5-11.
No v. 6 está claro que o nosso procedimento atrairá para a nossa vida ou a bênção divina ou a ira divina. Aqui ele está citando provavelmente o Sl 62.12 ou Pv 24.12, que se encontra em forma de pergunta. Ver também Jr 17.10; 32.19.
O próprio Jesus deixa claro que aquilo que o homem plantar isso também ceifará.

3. Seu padrão de justiça é perfeito, 2.12-16.
Do v. 12 ao v. 16 ele vai mostrar como a justiça do Senhor é equilibrada, v. 12. Ele já demonstrou que o Senhor não faz acepção de pessoa, é portanto, imparcial em Seu julgamento.
Quão medíocre e imperfeito é o nosso julgamento. Não podemos julgar, mas acabamos julgando e geralmente somos demasiadamente parciais, demasiadamente severos ou exageradamente brandos quando não se trata de salvaguardar os nossos interesses.


IV – NÃO BASTA CONHECER É NECESSÁRIO VIVER A PALAVRA, 2.17-29.
1. Vivendo em conformidade com o que pregamos, 2.17-24.
Paulo aqui retrata a incoerência deles, que eram presunçosos, pois se consideravam mestres e guias de cegos, mas seus pecados denunciava-os mostrando que não viviam de acordo com o seu discurso.
De igual modo, o baixo padrão espiritual de nossos dias nas igrejas faz com que haja um comportamento por parte de muitos totalmente contrário à mensagem que crêem e anunciam.
Tu que condenas o roubo, és fiel àquilo que é confiado em tuas mãos?
Tu que condenas a mentira, te utilizas dela para teu benefício?

2. Tendo consciência do que somos, 2. 28 e 29.
O apóstolo Paulo explica o que em sentido espiritual é ser judeu legítimo diante de Deus.
Também temos que ter consciência do que somos. Lembre-se que você é:
Luz no mundo, Mt 5.14-16 “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre o monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.”
Ef 5.8 – “Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz.”
Sal na terra, Mt 5.13 – “Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens.”
Discípulo de Cristo, Jo 8.31 – “...se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos...”


CONCLUSÃO: O apóstolo Paulo apresenta a realidade da miséria humana em um contexto interessante. Ele nunca perde de vista as boas novas de Cristo. Em 1.17 ele afirmou que “no evangelho é revelada a justiça de Deus”. Em 3.21 ele irá repetir essa colocação quase palavra por palavra: “Mas agora se manifestou uma justiça que provém de Deus...”. É entre estas duas significativas afirmações da revelação da graciosa justiça de Deus que Paulo encaixa o terrível quadro da iniqüidade humana (1.18 – 3.20).

O QUE É A PÓS-MODERNIDADE?


O termo pós-modernidade tem um significado muito amplo. Mas, de uma forma resumida podemos dizer que a pós-modernidade é o período histórico-filosófico que vivemos atualmente. Ela questiona a racionalidade da modernidade, apresentando-se como vencedora da modernidade que caracterizou a cultura até agora. É evidente também que muitos há que não concordarão com essa definição. Há até aqueles que dirão que não existe qualquer pós-modernidade.

O que constitui essa pós-modernidade, e como cristão como devemos nos portar?

O que mais nos interessa aqui quanto a pós-modernidade é justamente o fato de que ela representa todo relativismo nos conceitos éticos. A ética judaico-cristã está ultrapassada, em sua substituição a ela cada um poderá viver segundo seus próprios conceitos éticos. A verdade também é vista como algo relativo, cada um pode viver de acordo com sua própria verdade, o importante é que você seja politicamente correto, ou seja, não ofenda a ninguém, não coloque absolutos morais para ninguém (até porque eles não existem), agrade a todos (ou pelo menos tente agradar). É o relativismo a grande marca da pós-modernidade.

O pragmatismo também é outra marca relevante. Fazer algo não porque é certo, mas porque dá certo. Uma pessoa pragmática quer saber se em sua forma de agir vai conseguir atingir o seu objetivo, não importando se os meios utilizados são lícitos ou não.

Também o pensamento pós-moderno critica os modos clássicos do conhecimento, defende que é impossível que o ser humano, tenha um conhecimento certo, seguro e exato da realidade. É o que é chamado de “pensamento débil”. E isto é muito sério, porque quem se baseia nessa posição pode alegar que ninguém tem o direito de criticar a sua interpretação de qualquer texto, inclusive das Escrituras, afinal, não há como saber a interpretação correta.

COMO A IGREJA DEVE REAGIR?

A reação da igreja diante de tudo isso deve ser uma só, apegar-se à Palavra e não negociar os absolutos do genuíno evangelho. A igreja não pode se deixar levar pelo pensamento pós-moderno, deve lutar contra sua influência; “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente...” (Rm 12.2a). Sabemos que infelizmente a igreja tem sido muito influenciada, mas que não venhamos a nos conformar com isso, que possamos nadar contra a correnteza. O desafio é grande, mas façamos nossas as palavras de Paulo ao jovem pastor Timóteo: “Porque Deus, não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação.” (2 Tm 1.7)

domingo, 23 de agosto de 2009

PANDEMIA DE LUCRO

A GRIPE SUÍNA E A PANDEMIA DE LUCRO


Recebi recentemente por e-mail um pequeno artigo de um médico peruano a respeito da gripe suína. Este médico de forma concisa e eficiente mostra como muitas vezes o alarde da imprensa, e as atitudes dos governos, muito especialmente do governo americano são exagerados e estão baseados em interesses financeiros.
Quero agradecer aqui ao Rev. Maurício Amazonas, da igreja Anglicana, meu professor do Seminário Batista Nacional, que frequentemente envia para seus alunos matérias interessantes como essa. Estou postando ela aqui no meu blog por considera-la interessante e bastante informativa.
Com a Palavra, Dr. Carlos Alberto Morales Paitán:




PANDEMIA DE LUCRO
2000 pessoas contraem a gripe suína e todo mundo já quer usar máscara. 25 milhões de pessoas têm AIDS e ninguém quer usar preservativo.Que interesses econômicos se movem por detrás da gripe suína?
No mundo, a cada ano morrem milhões de pessoas vitimas da Malária, que se podia prevenir com um simples mosquiteiro. Os noticiários nada falam disto! No mundo, por ano morrem 2 milhões de crianças com diarréia, que se poderia evitar com um simples soro que custa 25 centavos. Os noticiários nada falam disto! Sarampo, pneumonia e enfermidades curáveis com vacinas baratas, provocam a morte de 10 milhões de pessoas a cada ano. Os noticiários nada falam disto! Mas há cerca de 10 anos, quando apareceu a famosa gripe das aves... ...os noticiários mundiais inundaram-se de noticias... Uma epidemia, a mais perigosa de todas... Uma Pandemia! Só se falava da terrífica enfermidade das aves. Não obstante, a gripe das aves apenas causou a morte de 250 pessoas, em 10 anos... 25 mortos por ano. A gripe comum, mata por ano meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão contra 25. Um momento, um momento. Então, por que se armou tanto escândalo com a gripe das aves? Porque atrás desses frangos havia um "galo", um galo de crista grande. A farmacêutica transnacional Roche com o seu famoso Tamiflu vendeu milhões de doses aos países asiáticos. Ainda que o Tamiflu seja de duvidosa eficácia, o governo britânico comprou 14 milhões de doses para prevenir a sua população. Com a gripe das aves, a Roche e a Relenza, as duas maiores empresas farmacêuticas que vendem os antivirais, obtiveram milhões de dólares de lucro. - Antes com os frangos e agora com os porcos. - Sim, agora começou a psicose da gripe suína. E todos os noticiários do mundo só falam disso... - Já não se fala da crise econômica nem dos torturados em Guantánamo... - Só a gripe suína, a gripe dos porcos... - E eu me pergunto: se atrás dos frangos havia um "galo"... atrás dos porcos... não haverá um "grande porco"? A empresa norte-americana Gilead Sciences tem a patente do Tamiflu. O principal acionista desta empresa é nada menos que um personagem sinistro, Donald Rumsfeld, secretário da defesa de George Bush, artífice da guerra contra o Iraque... Os acionistas das farmacêuticas Roche e Relenza estão esfregando as mãos, estão felizes pelas suas vendas novamente milionárias com o duvidoso Tamiflu. A verdadeira pandemia é de lucro, os enormes lucros destes mercenários da saúde. Não nego as necessárias medidas de precaução que estão a ser tomadas pelos países. Mas se a gripe suína é uma pandemia tão terrível como anunciam os meios de comunicação... Se a Organização Mundial de Saúde (conduzida pela chinesa Margaret Chan) se preocupa tanto com esta enfermidade, por que não a declara como um problema de saúde pública mundial e autoriza o fabrico de medicamentos genéricos para combatê-la? Prescindir das patentes da Roche e Relenza e distribuir medicamentos genéricos gratuitos a todos os países, especialmente os pobres. Essa seria a melhor solução.
Dr. Carlos Alberto Morales Paitán, Peru

domingo, 16 de agosto de 2009

SANTIFICAÇÃO, PERGUNTAS E RESPOSTAS

1º – Exegeticamente o que é santificação?

A palavra do Antigo Testamento para “santificar” é QADOSH .O substantivo correspondente é QODESH, enquanto que o adjetivo é QADOSH. Muito provavelmente o sentido original deriva da raiz qad, que significa “cortar”. Então no A.T. a idéia original para santificação é separação.
No Novo Testamento temos o verbo HAGIAZO, que primeiramente tem o mesmo sentido que QADOSH, dando a idéia de separação. Porém, ele é empregado também em sentidos diferentes como o expresso em Mt 6.9; Lc 11.2; 1 Pe 3.15, que nos traz idéia de “considerar um objeto como santo”, “atribuir santidade a” ou “reconhecer
sua santidade por palavra ou ato”. Também é empregado em sentido ritual de “separar o ordinário para propósitos sagrados”, Mt 23.17, 19; Jo 10.36; 2 Tm 2.21. É utilizado também para expressar a operação de Deus em produzir a santidade no homem, Jo 17.17; At 20.32; 26.18; 1 Co 1.2; 1 Ts 5.23. Finalmente adquire também um sentido expiatório, Hb 9.13; 10.10, 29; 13.12.
Há também adjetivos que expressam a idéia de santidade, como HIEROS, que tem como melhor tradução a palavra “sagrado”, 1 Co 9.13; 2 Tm 3.15. HOSIOS, é a que ocorre com maior freqüência, se refere a cumprimento de obrigação moral, At 2.27; 13.34, 35; 1 Tm 2.8, Tt 1.8; Hb 7.26; Ap 15.4; 16.5. Hagnos traz a idéia de liberdade da impureza e corrupção, num sentido ético, 2 Co 2.11; 11.2; Fp 4.8; 1 Tm5. 22; Tg 3.17; 1 Pe 3.2; 1 Jo 3.3. No entanto a palavra mais característica do Novo Testamento é HAGIOS, que tem dois significados. Em alguns textos expressa separação de alguns homens para o serviço de Deus, Lc 1.70; Ef 3.5; 2 Pe 1.21; em outros expressa um sentido ético, ao referir-se a qualidades necessárias para manter comunhão com Deus e servi-lo de modo aceitável, Ef 1.4; 5.27; Cl 1.22; 1 Pe 1.15, 16. Este último sentido é o que primordialmente é usado quando falamos de santificação.
HAGIASMOS, substantivo, denota purificação ética, e inclui também “a separação do espírito de tudo que é impuro e corruptor, e uma renúncia dos pecados para os quais os desejos da carne e da morte nos levam”. Encontra-se em Rm 6.19, 22; 1 Co 1.30; 1 Ts 4.3, 4, 7; 2 Ts 2.13; 1 Tm 2.15; Hb 12.14; 1 Pe 1.2


2º – Do ponto de vista histórico, qual o posicionamento mais coerente da doutrina da santificação?

Do ponto de vista histórico o posicionamento mais coerente adotado sobre a doutrina santificação é aquele dos reformadores. Afirmavam eles que justificação é um ato legal de Deus, pela sua graça, que muda a posição judicial do homem diante de Deus, e que santificação é uma obra moral ou recriadora, mudando a natureza interior do homem. Após a justificação, inicia-se o processo da santificação, levada a efeito pelo Espírito Santo mediante a Palavra e secundariamente mediante os sacramentos.


3º – Qual a diferença entre santificação e santidade?

Santidade é primariamente aplicada a Deus. Refere-se ao seu estado de inacessibilidade, de transcendência, totalmente distinto das suas criaturas. Somente posteriormente veio a ter um sentido ético.
No homem, santidade é o estado em que ele se encontra em relação com Deus, não é mera bondade ética, mas a mesma considerada diante de Deus. E santificação é o processo na vida do regenerado no qual a santidade está inclusa.


4º – Qual o aspecto negativo e o positivo da santificação com base em sua natureza?

O aspecto negativo da santificação se refere à mortificação do velho homem. É o ato de Deus em que a contaminação e a corrupção da natureza que resultam do pecado são removidas gradativamente. E o aspecto positivo é justamente a vivificação do novo homem, criado em Cristo Jesus para boas obras. É o ato de Deus em nos capacitar para uma vida em santidade. Este aspecto positivo também é chamado ressurreição com Cristo, Rm 6.4, 5; Cl 2.12; 3.1, 2. Ambos os aspectos ocorrem de forma simultânea. E o resultado é um viver para Deus, conforme Rm 6.11 e Gl 2.19.


5º – Qual a diferença entre a verdadeira santificação, o legalismo e o liberalismo?

A verdadeira santificação é uma obra de Espírito Santo na vida dos crentes. É Deus quem realiza a obra no regenerado, 1 Ts 5.23; Hb 13.20, 21. Que por sua vez, é apenas um colaborador movido pelo Espírito de Deus. A verdadeira santificação é a obediência aos mandamentos divinos não inspirado no desejo de ser o melhor e sim no amor pelo Senhor, ou seja, obediência por amor, Jô 15.10-14; Ef 1.4.
O legalismo vê meramente os atos externos da suposta obediência a Deus, não levando em conta se tal obediência tem a motivação correta. Lembremos que Jesus foi severo com os fariseus nesse aspecto, chamando-os de hipócritas.
Já o liberalismo, reduz a santificação a um mero desenvolvimento espiritual do homem, um desenvolvimento ético/moral, sem vê nisso a ação do Espírito de Deus, a compreende na verdade como apenas uma realização humana.


6º – Quais as principais características da santificação?

As características da santificação são:
a) É uma obra cujo autor é Deus;
b) Ela ocorre na vida subconsciente do homem, como uma operação imediata do Espírito Santo; e em parte, na vida consciente, necessitando então de certos meios como o estudo da Palavra de Deus, a oração e a comunhão com outros crentes;
c) É um processo longo, e jamais alcança a perfeição nesta vida;
d) A perfeição absoluta, no que diz respeito à alma, ocorre imediatamente após a morte. E concernentemente ao corpo, quando da ressurreição.


7º – Quem é o autor e quais os meios da santificação?

A santificação é obra do Deus triúno, mas na economia da Trindade é especificamente obra do Espírito Santo, Rm 8.11; 15.16; 1 Pe 1.2. O homem é apenas um cooperador, e o faz apenas porque o Espírito Santo o capacita dia a dia.
Os meios que o Senhor usa para realizar a santificação são: a Palavra, os sacramentos e sua direção providencial. A Palavra de Deus nos traz todos os ensinamentos, exortações, proibições e incentivos necessários para vivermos uma vida de santidade com Deus. Os sacramentos, que devem estar sempre subordinados à Palavra, simbolizam e selam para nós as verdade contidas na Palavra de Deus. As providências divinas, quer favoráveis ou adversas, afetam grandemente nossas vidas, e portanto, é um meio de Deus operar a santificação em nós, Sl 119.71; Rm 2.4; Hb 12.10.


8º – Qual a relação da santificação, regeneração, justificação e fé?

A relação que há da santificação com a regeneração é que a regeneração dá-se uma única vez na vida do homem e de forma completa, sendo então o princípio do processo da santificação, Fp1.6.
A justificação, por sua vez, é a base judicial da santificação. Havendo Deus nos declarado justos diante d’Ele, com base na justiça de Cristo, tem todo o direito de exigir de nós santidade no viver. E como a santificação está baseada na justiça de Cristo, e é uma ação do Espírito Santo em nós, não temos diante d’Ele mérito algum.
E ela relaciona-se também com a fé, pois é esta a causa mediata e instrumental tanto da santificação como da justificação. Sem a fé salvífica não pode haver regeneração e justificação, portanto, não pode haver o início do processo da santificação. Esta fé deverá estar sempre presente na vida do cristão, e quanto mais vigorante ela for mais ele poderá crescer espiritualmente.


9º – Podemos alcançar a impecabilidade ou não?

Todas as teorias perfeccionistas são obrigadas a rebaixar o padrão da lei de Deus e limitar a sua teologia do pecado enxergando-os apenas em suas exteriorizações. Ademais, os textos bíblicos por eles usados para as defesas de suas teorias não são corretamente interpretados.
A verdade é que nesta vida, como nos mostra fartamente as Escrituras é impossível alcançar-mos a impecabilidade, 1 Rs 4.46; Pv 20.9; Ec 7.20; Rm 3.10; Tg 3.2; 1 Jo 1.8.


10º – Qual a relação entre a santificação e as suas obras?

Todos temos o dever de manifestar boas obras, pois elas são por assim dizer frutos da santificação. É necessário, entretanto, entendermos que essas boas obras não trazem mérito algum ao homem. Isto é verdade porque se as praticamos corretamente, ou seja, com motivações corretas que glorifiquem a Deus, é unicamente pela graça do Senhor, 1 Co 15.10; Fp 2.13. E simplesmente não fazemos mais do que nossa obrigação, Lc 17.9, 10.
As boas obras, portanto, são necessárias, afinal Deus as exige de nós, Rm 7.4; 8.12, 13; Gl 6.2, temos apenas que estar cônscios do seu real lugar.



BIBLIOGRAFIA

BERKHOF, Louis – Teologia Sistemática - Ed. Luz Para o Caminho, Campinas, São Paulo, 1996.

ELIAQUIM, Jádison – Apostila do Curso de Preparação de Obreiros da Igreja Batista dos Guararapes.

sábado, 1 de agosto de 2009

500 anos de Calvino


JOÃO CALVINO

Este ano as igrejas reformadas comemoram os 500 anos de Calvino, aqui estarei postando algo sobre ele e sua teologia como forma de valorização da pessoa do reformador e como gratidão a Deus por ter usado este homem para a obra de reforma da igreja.
Soli Deo Glória!




Calvino nasceu em Noyon, em Picardy, ao norte da França, em 1509. Seu pai era um respeitado cidadão e conseguiu benefícios eclesiásticos para a educação do filho. Calvino estudou na Universidade de Paris, onde teve contatos com o humanista Guillaume Cop, e através do seu primo Pierre Olivetan conheceu as idéias protestantes. Para fazer a vontade de seu pai foi estudar Direito na Universidade de Orleans, transferiu-se depois para a Universidade de Bourges em 1529.
Ao se converter adotando as idéias da Reforma, abandonou imediatamente os benefícios eclesiásticos que recebia. Calvino foi forçado a abandonar a França em 1534 por ter colaborado com Nicolas Cop, reitor da Universidade de Paris, na elaboração de um documento no qual continha idéias humanistas e reformadoras.
Em Basiléia terminou sua grande obra “As institutas da religião cristã” em 1536 com apenas 26 anos de idade. Depois de muitas edições essa obra magnífica chegou à sua forma e edição final em 1559.
Guilherme Farel (1489 – 1565) havia sido enviado a Genebra pelo cantão de Berna para ali estabelecer a Reforma. Era um excelente pregador, mas humilde o suficiente para reconhecer sua limitação administrativa. Ao saber que Calvino estava pernoitando em Genebra não teve dúvida do que fazer. Foi até ele e lhe pediu ajuda. Calvino não estava interessado em se envolver diretamente na obra da Reforma, desejava apenas contribuir com seus escritos e para tanto necessitava de tranqüilidade para estudar. Ele se recusou, porém Farel lhe disse que Deus amaldiçoaria a ele e a seus estudos se em tão grave emergência se recusasse a ajudar. Isso impressionou tanto Calvino que ele permaneceu em Genebra e foi ordenado ministro de ensino no mesmo ano de 1536.
Dentre as mediadas reformadoras que Calvino e Farel tomaram se recusaram a dar a Ceia do Senhor àqueles que se encontravam em pecados graves e escandalosos, porém muitos desses eram pessoas poderosas e influentes na cidade, tal atitude custou-lhes o exílio. Calvino então foi pastorear uma igreja de refugiados franceses em Estraburgo. Ao contrário de Genebra, que não remunerava Calvino pelos seus serviços, e ele mesmo nada cobrava, a igreja de Estraburgo cuidava muito bem de seu pastor. Calvino aliás era um homem necessitado de muitos cuidados, pois era extremamente enfermo, tinha gastrite, hemorróidas, dores de cabeça constantes, e outras enfermidades. Em Estraburgo Calvino se casou com uma viúva de um pastor anabatista, Idelette, com quem teve um filho, que veio a falecer ainda criança em 1549. Idelette também veio a falecer.
Em 1541 Calvino foi convidado a retornar a Genebra. Ele estava satisfeito em Estraburgo e não pretendia voltar a Genebra, foi convencido a retornar em caráter temporário até pôr as coisas em ordem. Porém, ele acabou ficando permanentemente em Genebra.
Agora Calvino estabelece as Ordenanças Eclesiásticas, estabelecendo quatro classes de oficiais na igreja. Essas Ordenanças estabeleciam uma associação de pastores para dirigir a disciplina, um grupo de mestres para ensinar a doutrina, um grupo de diáconos para administrar a obra de caridade, e sobre eles, o consistório, composto de seis ministros e doze anciãos, para supervisionar a teologia e a moral da comunidade, com a faculdade de punir, quando necessário, com a excomunhão os membros renitentes.
Lamentavelmente em 1546, 28 pessoas foram executadas e 76 exiladas. E Servetus, por ter ensinado contra a doutrina da Trindade foi queimado vivo em 1553. Legalmente Calvino não foi o responsável pela morte de Servetus, foi o conselho dos Quatros, que governavam a cidade. É bom salientar que a desobediência à igreja naquela época era também desobediência ao estado, portanto, digna de morte.
João Calvino morreu em 1564, Teoldoro Beza (1519 – 1605), reitor da academia de Genebra, tomou a liderança do trabalho em Genebra.



A teologia de Calvino

Assim como nos reformadores anteriores, faremos menção apenas às principais doutrinas calvinistas.


O Deus Trino

Calvino foi o único dos reformadores que dedicou atenção à doutrina da Trindade. Ele chegou a conversar com antitrinitários genuínos, como Servetus, Gentile e Gribaldi.
Calvino foi impecavelmente ortodoxo em suas formulações sobre a doutrina da Trindade: “...quando professamos crer em um só e único Deus, pelo termo Deus entende-se uma essência única e simples, em que compreendem três pessoas ou hipóstases...” (Inst., I, XII, 20). Calvino na verdade não gostava de termos não-bíblicos como ousia, hipóstases, persona, Trinitas; porém reconheceu a utilidade deles para tornar a doutrina mais clara. Calvino jamais deturpou as Escrituras para defender qualquer doutrina, com a doutrina da Trindade não foi diferente. Acertadamente considerava fracas e espúrias provas como dizer que o plural de Deus em Gênesis 1.1, (Elohim), a tríplice manifestação de louvor dos serafins em Is. 6.3, ou a afirmação de Jesus, “eu e o pai somos um” (Jo 10.30) para afirmar a Trindade.


A providência

Em sua doutrina da providência Calvino atacou dois equívocos populares da época, o fatalismo e o deísmo. O fatalismo é uma doutrina estóico que diz haver na natureza leis que tornará inevitável tudo quanto acontece. O deísmo por sua vez, afirma que Deus criou o mundo e abandonou-o, não se relaciona com ele. Contra o fatalismo Calvino ensinou que as coisas acontecem não por causa de leis naturais, mas por determinação divina. “Que, por Sua sabedoria, decretou desde a extrema eternidade [o] que haveria de fazer e, agora, por Seu poder, executa [o] que decretou” (Inst., I.XVI, 8). Contra o deísmo ele declara que a providência “às mãos, não menos que aos olhos, diz [Lhe ela] respeito” (Inst., I, XVI, 4).
Se Deus determinou tudo o que acontece, surge a questão se Ele não se torna cúmplice das obras más dos ímpios. Calvino afirmava que não, fazendo uma distinção entre vontade e preceito de Deus. “... enquanto por instrumentalidade dos ímpios Deus leva a cabo [o] que decretou em Seu juízo absconso, não são [eles] excusáveis, como se Lhe estejam a obedecer ao preceito, que deliberadamente, violam em sua [desregrada] cupidez” (Inst. , I, XVII, 4).




A oração

A esse tema Calvino dedica o capítulo mais longo das Institutas. Ele definiu oração como “o principal exercício da fé, mediante a qual recebemos diariamente os benefícios de Deus”.

“Os fiéis não oram para contar a Deus o que ele não sabe, para pressioná-lo em suas tarefas ou apressa-lo quando demora, mas sim a fim de alertar a si mesmos para buscá-lo, para exercitar a fé meditando em suas promessas, livrando-se de suas cargas ao se elevarem a seu íntimo. [...] Mantenha esses dois pontos: nossas orações são previstas por ele em sua liberdade; contudo, o que pedimos, conseguimos pela oração.” (Com. sobre Mt 6.8).

Calvino apresentou quatro regras de oração. Primeiro: devemos nos aproximar de Deus reverentemente. Devemos evitar a leviandade de falar com Deus como quem fala com um amigo celeste, “o homem lá de cima”. A segunda regra é que oremos com uma percepção sincera de necessidade, e penitentemente.

“Deus não estabeleceu a oração
Para arrogantemente nos envaidecer perante ele
Ou valorizar grandemente nossas próprias coisas.
A oração serve para confessarmos, lamentarmos
Nosso trágico estado;
Como as crianças lançam seus problemas
Sobre seus pais,
Assim é conosco diante de Deus.
Essa percepção do pecado estimula-nos, incita-nos,
Desperta-nos a orar.”

A terceira regra segue a segunda: devemos abandonar toda a confiança em nós mesmos e humildemente suplicar perdão.
A quarta regra é que oremos com esperança confiante: “... assim prostrados e subjugados de verdadeira humildade, sejamos, não obstante, animados a orar, com segura esperança de alcançar resposta” (Inst. , III, XX, 11).


A predestinação

A teologia de Calvino é lembrada principalmente por conta da predestinação, fato curioso, haja vista que ele mesmo dá pouca atenção a essa doutrina em suas Institutas. A doutrina da predestinação de Calvino é basicamente o que Lutero, Zwínglio e Agostinho pregaram.
Resumiremos a doutrina da predestinação de Calvino em três palavras: absoluta, particular e dupla. Absoluta porque não está condicionada a nenhuma contingência finita, mas baseia-se somente na vontade imutável de Deus. Desse modo ele rejeita qualquer noção de predestinação baseada na presciência divina: “O conhecimento prévio de Deus não pode ser o motivo de nossa eleição, porque, quando Deus [olha para o futuro e] observa toda a humanidade, ele encontra a todos, do primeiro ao último, debaixo da mesma maldição. Assim, vemos quão tolamente os frívolos balbuciam quando atribuem ao puro e simples conhecimento prévio o que deve estar fundamentado na boa vontade de Deus”.
Em segundo lugar, a predestinação é particular, ou seja, pertence a indivíduos e não a grupos de pessoas. Isso implica que Cristo não morreu por todos indiscriminadamente, mas apenas pelos eleitos.
E finalmente a predestinação é dupla. Deus, para o louvor da sua misericórdia, ordenou alguns indivíduos para a vida eterna, e para louvor da sua justiça, enviou outros para a condenação eterna.


A Ceia do Senhor

A doutrina da Ceia do Senhor encontrou em Calvino um equilíbrio entre os extremos de Lutero e Zwínglio. Ele concordava com Zwínglio ao negar a presença corporal de Cristo no sacramento, ma insistia numa presença real, ainda que espiritual. Concordava com Lutero então, que a Ceia não era um mero símbolo vazio – a verdade da coisa significada está certamente ali – mas um meio de “real participação” em Cristo (Inst. , IV, XVII, 10-11).
Calvino afirma que a Ceia é primeiramente a expressão de uma dádiva da graça de Deus ao homem, e só secundariamente, uma refeição comemorativa e um ato de profissão. A Ceia portanto, fortalece a fé do comungante.